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14.05 – Guapira desiste, Jaçanã triste
A notícia de que o Guapira desistiu de participar da Série B-1 em 2003 às vésperas do início da temporada marcou o fim de uma era no futebol paulistano. Ao lado do Nacional A.C., o Guapira – carinhosamente chamado de “Leão do Jaçanã”, em referência ao bairro da Zona Norte paulistana – era o último representante da Capital nas divisões inferiores do futebol paulista. Se no passado mais de cinqüenta clubes paulistanos fizeram parte do Paulistão em suas diversas divisões, hoje apenas seis – Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Portuguesa, Juventus e Nacional – mantém departamentos de futebol profissional. A maioria destas equipes desapareceu por completo. Algumas, como o Internacional (campeão paulista em 1907 e 1928) e o Comercial (apelidado de “O Mais Simpático”), deixaram saudades. Os mais velhos ainda contam histórias sobre seus “quadros” – que não tinham zagueiros, mas “backs”, e possuíam “forwards que eram cracks”. De outros clubes, como o Sílex e o Ruggerone, há registros apenas nas páginas de almanaques. Alguns outros são curiosidades: o Castellões, por exemplo, era uma pizzaria que virou time de futebol. Um dia, tudo terminou voltou à pizza, a bola parou, e não mais rolou. Desde o final da temporada passada comentava-se o fechamento do departamento de futebol profissional do Guapira. Depois do título de campeão paulista da Série B-1B em 1998, correspondente à quinta divisão (a atual Série B-2), o Guapira fez campanhas medianas na grupo superior. Nono colocado em 1999, oitavo em 2000, nono em 2001 – igualmente longe da promoção e do rebaixamento. No ano passado o Guapira caiu de produção e ficou em décimo-terceiro, à frente apenas do Mauaense e dos rebaixados (e mais tarde promovidos de volta) Guarulhos e XV de Caraguá. Ao contrário da maioria dos clubes onde a bola pára, o fim do futebol no Guapira não ocorreu devido à falta de recursos para tocar o time. Ao contrário, o bom número de associados mantém saudável o caixa da associação. A questão é que para vencer – e não apenas competir - no futebol profissional, mais e mais dinheiro deveria ser colocado neste departamento. Dinheiro este que a diretoria do clube prefere agora investir em outras áreas, como atividades sociais e benfeitorias. Assim, o Guapira tentará seguir o caminho trilhado por equpes como o Germânia (hoje Pinheiros), o Paulistano (que foi onze vezes campeão paulista, incluindo um tetracampeonato), o Sírio e o Ypiranga – que abandonaram o futebol e para tornar-se clubes sociais de expressão. Embora desejando todo sucesso ao Guapira, a Santa Ritense torce para que, um dia, o simpático time do Jaçanã vole ao futebol profissional, e que as duas equipes cruzem-se novamente nos estádios do futebol paulista.
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