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Tico-Tico, o nosso mascote

A Santa Ritense possui um mascote bastante original, o Tico-Tico. Esta é uma homenagem a Zequinha de Abreu, maior expoente cultural da cidade e compositor de inúmeras valsas, choros, chorinhos, marchinhas, tangos e foxes. Dentre suas obras, uma das mais populares é o famoso "Tico-Tico no Fubá", conhecido em todo o mundo.

Zequinha de Abreu
Zequinha de Abreu


Zequinha, cujo verdadeiro nome é José Gomes de Abreu, nasceu em Santa Rita do Passa Quatro a 19 de setembro de 1880. Aos cinco anos Zequinha foi levado pela avó Dna. Deolinda a uma festa na vizinha cidade de São Simão. Nesta ocasião ficou entusiasmado ao ver os músicos tocarem, e pôde pela primeira vez pôr suas mãos em um piano.

Meses depois foi presenteado com uma gaita de boca, e pouco após passou a tocar com perfeição melodias que guardava na memória, para espanto da família. Aos dez anos Zequinha ingressava no conjunto musical de seu parente José de Abreu, já tendo substituído a gaita pela ocarina.

Seu pai, o farmacêutico José Alacrino de Abreu, queria vê-lo médico, e a mãe, Justina Gomes Leitão, esperava que abraçasse o sacerdócio. Zequinha, entretanto, firmou pé com relação aos seus interesses musicais. Aos dezesseis anos compunha sua primeira obra, o maxixe "Bafo de Onça" - terminado ainda no tempo em que trabalhava na farmácia do pai.


Ainda no início de sua carreira já havia feito muito pela cultura na cidade, tendo organizado a Lira Santarritense e criado a orquestra Smart. Em 1915 o repertório de Zequinha já somava cerca de cem composições originais.

A história do chorinho "Tico Tico no Fubá" é curiosa. Em uma certa noite de 1917 Zequinha e seu grupo se apresentavam no Grêmio Literário e Recreativo quando apresentaram um novo chorinho - inacabado, pois não possuia então a terceira parte. Zequinha improvisou sobre o tema básico e ao notar a reação ensandecida dos casais que dançavam, exclamou aos colegas da banda "Vejam esta gente! Até parece tico-tico no farelo". Quando perguntou que nome deveria dar à composição, o contrabaixista Arthur de Carvalho respondeu "Mas você já a batizou de "Tico-Tico no Farelo..."". Mais tarde o "farelo" viraria "fubá", e a canção tornar-se-ia a assinatura musical de Santa Rita do Passa Quatro.

No ano seguinte compôs outra obra de renome, a valsa "Branca" - dedicada à filha do chefe da estação ferroviária de Santa Rita do Passa Quatro, que ele muito admirava. 

Museu Municipal Zequinha de Abreu
Antiga estação ferroviária de Santa Rita do Passa Quatro, atual Museu Municipal Zequinha de Abreu.
Ao fundo, casa da Banda Municipal.

Com a morte de seu pai, em 1919, Zequinha mudou-se para São Paulo, onde conseguiu emprego de pianista na Casa Beethoven, passando depois a integrar a Orquestra do Bar Viaduto. A Revolução de 1922 trouxe dias agitados à Capital, que serviram como inspiração para Zequinha na composição do bem humorado "Sururu na Cidade".

Seu sucesso cresceu com os anos, e em 1933 foi fundada a "Banda Zequinha de Abreu", com vinte e cinco integrantes, que muito excursionou pelo Interior Paulista.

Zequinha de Abreu faleceu a 22 de janeiro de 1935, vítima de colapso cardíaco ao retornar de uma reunião de músicos. Deixou a viúva Durvalina Brasil de Abreu e os filhos Dalva, Durval, Dermeval, Diva, Dorival, Dayse, Dirce e Dinorá.

Santa Rita tem muito orgulho de ter sido berço e casa de Zequinha de Abreu, que empresta seu nome ao museu e centro cultural, à praça matriz, à principal rodovia e a uma emissora de rádio da cidade.


Praça Zequinha de Abreu
Praça Zequinha de Abreu (Praça Matriz)

Rodovia Zequinha de Abreu
Rodovia Zequinha de Abreu


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